sexta-feira, 22 de março de 2013

Mi is lucky

Oiço isto muitas vezes.
Dos meus amigos, da família e, principalmente, dos meus colegas.

Eu nunca me senti assim, como sendo "a sortuda".

Não. Eu era a "maluca", a "que devia estar grávida, de certeza abosulta", a "weirdo", a "nova demais para casar", a "que pertence a algum culto esquisito, sem dúvida", a "doente terminal, só isso explica o motivo de casar tão jovem", a "patética", a "burra", a "estúpida", a "ignorante" e tantos outros nomes bonitos que fui ouvindo, aqui e ali, por tomar esta decisão tão jovem.

O nosso casamento aos 20 anos, a meio duma licenciatura, estava destinado ao fracasso.

Mas fui feliz. Fui muito, muito, muito feliz. E sou, somos, muito muito muito felizes.
Sem fachadas, sem perfeições, sem pretensões a nada, sem corações cor-de-rosa e nicknames fofinhos. Somos felizes quando nos chateamos e somos felizes quando estamos bem.

Nunca me arrependi desta decisão. E é engraçado, porque não conheço pessoa mais indecisa do que eu, mas esta decisão foi fácil, fácil... 
E definitiva. E acertada.

E hoje sou conhecida como "a sortuda", a "invejada", a "que fez a escolha certa", a "que tem a vida perfeita". Isto dito por colegas de 30/40 anos, que "viveram a vida" e olham para trás sem se lembrar de nada em especial. Hoje arrependem-se de não ter sido mais "burros", mais "ignorantes", mais "patéticos" porque almejam a vida desses.

E também eu me sinto a feliz, a que tem a vida perfeita, um marido que amo, e é o meu melhor amigo, um trabalho que nem gosto nem desgosto (porque basicamente era tudo muito lindo no início, mas agora é uma grande seca) mas que me permite ter uma vida folgada e dedicar-me àquilo que me vou lembrar daqui a 30, 40, 50 anos: o sorriso dele, os abraços dele nas manhãs perguiçosas, andarmos de mãos dadas ao final do dia, os fins de tarde a três, os risos sem nexo sobre coisas parvas, os jantares sempre juntos, as noites de aconchego e conchinha, os beijos sempre longos e prolongados, as conversas sérias sobre o passado e o futuro, as borboletas no meu estômago quando me diz aquelas coisas que só ele sabe... 
 E agora posso ter tudo isto a dobrar. Um amor a dobrar. 





Yep, Mi is lucky!

2 comentários:

Rita CutxieCutxie disse...

Lindo testemunho.
Gostei. e concordo contigo e melhor, ainda bem que te consideras lucky, é bom saber reconhecer o bom da vida.

Jovem Atrapalhada disse...

E mais nada! :)
Que venha muita mais felicidade e momentos para recordar!!