terça-feira, 23 de setembro de 2014

O que há de novo?

Isto no fundo não é para informar ninguém porque as pessoas que me conhecem sabem, mais ou menos, o que vai havendo de novo. E raras são as que, não me conhecendo, vêm cá parar com algum interesse de visitar isto muito regularmente (até porque nem têm o que cá vir fazer/ler regularmente, porque deixo morrer isto mais vezes do que gostaria).

Num mês, o que mudou? Bem...


- fomos de férias à Holanda e estivemos os 6 numa casinha com um jardim maravilhoso à beira-lago com 5.000 patos destemidos como vizinhos.
- decidimos que temos que procurar um sítio assim para nós.
- tive uma crise de enxaquecas que me acabou por deixar uma tarde no hospital. Reason? No reason. Only pain.
- o R. descobriu que não teria emprego depois de Dezembro. 
- encomendei uma prenda surpresa para duas das pessoas mais importantes na nossa vida, que ainda não chegou.
- tentei obrigar os meus chefes a fazer(-me) a compra do ano, material a sério para TWs. Consegui.
- gravei vídeos engraçados.
- li o livro "The Fault is in the Stars" num dia. E chorei. 
- recebi vídeos engraçados.
- gravei vídeos que me custaram muito... Nos quais não conseguia dizer mais de duas frases sem me emocionar, parar e ter que gravar tudo de novo. 
- recebi vídeos que me emocionaram.
- disse mal da minha vida por não ter começado a compilar todos estes vídeos mais cedo, para organizar a grande surpresa para a S. e o R.
- chateei muita gente.

- fui chateada e algumas pessoas chegaram mesmo a irritar-me. Ao de leve.
- enviei currículos.
- reservámos férias.
- trabalhei. Muito. Contra o relógio e até à última.
- a M. recomçou a escola e separaram-na das duas amiguinhas.
- discuti com a secretária da directora da escola.

- fomos ver dois apartamentos. Um deles, de sonho, demasiado caro. 
- o R. teve uma oferta de trabalho no Luxemburgo e decidimos não aceitar.
- a M. envergonhou-me cada vez que a fui buscar à escola e tive que ir arrastá-la, entre prantos e debaixo do braço, pelo meio da areia (de saltos altos) porque não queria voltar para casa.  
- passámos uma semana de 24/7 de telefonemas de várias pessoas que faziam as mais variadas ofertas de trabalho ao R.
- tivemos reuniões com dois contabilistas diferentes. 
- finalmente o R. decidiu-se e tornou-se freelancer. Assusta-me.
- fiz mais trabalho como designer para um colega. Adorei. 
- o R. despediu-se do antigo emprego.
- fizémos as malas horas antes da viagem de avião.
- fomos de férias a Portugal.
- descobrimos, sentados no avião que as coisas com a empresa antiga do R. não se iam resolver facilmente.
- surpreendi a S. com uma tarde/noite de girls, com tudo a que temos direito.
- pusemos a conversa toda em dia! E as saudades também.
- fiz uma entrevista de trabalho por telefone. 
- acabei os vídeos para o casamento na Sexta-feira às 2h da manhã, como boa portuguesa.
- fui à Lúcia Piloto. Não gostei.
- pus verniz-gel pela primeira vez. Adorei.
- pude presenciar o dia mais importante da S. e do R. e senti ainda mais saudades deles. Também senti que uma amizade assim nunca morre. De parte a parte.
- fomos ao zoo no nosso 7º aniversário de casamento. Ser pais dá nisto.
- paniquei porque, finalmente, desvendámos a surpresa aos meus sogros que íamos deixar a M. lá uma semana sem nós.
- comecei a ver uma novela, confesso. Jardins Proibidos. 
- deitei-me na praia, fechei os olhos, senti a areia por entre os dedos, ouvi o mar e levei com areia na cabeça e boca atirada pela M.
- cobri-lhe os pezinhos de areia e ela cobriu os meus.
- passei duas horas na Bertrand. Por mim, ficava lá mais tempo. 
- descobri que há uma nova autora a usar o Poirot da Agatha Christie para escrever as suas histórias e fiquei zangada.
- resolvémos a situação da antiga empresa do R. 
- paniquei, muito, quando tive que a deixar para voltar a Bruxelas.
- descobri que o local onde trabalho era alvo de um ataque terrorista falhado.
- paniquei ainda mais porque o R. agora também trabalha aqui.
- li "A Princesa do Gelo" de uma nova autora sueca. 
- fomos de fim-de-semana romântico para a Holanda.
- vimos o final de Breaking Bad e não gostei. 
- reservámos um dia nas termas sem saber que eram para nudistas.
- andámos de barco no Mosel e visitámos grutas 60m abaixo de terra.
- recebi ofertas de emprego.
- fizémos vídeos pelo Skype todos os dias.
- senti o coração pequenino e tranquilizado ao mesmo tempo, cada vez que ouvi a M. dizer "não quero ir ter com a mamã e o papá".
- duvidei da minha escolha de mudar-me de Portugal, há quatro anos.
- quis muito voltar. E quis muito ficar onde estou.
- decidimos que eu deixaria de tomar a pílula a partir de Dezembro. Ainda não sei o que sentir.
- o Rui começou o emprego novo. Gostou. Saiu-me um peso enorme dos ombros.
- trabalhei. Muito. Descobri que isso me deixa muito feliz.
- paniquei todos os dias por estar longe da M.




quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O pior de se ser mãe.

Não são as dores nas costas durante a gravidez, ou não se ter posição para dormir. Nem são as noites mal dormidas, ou as horas a ouvir o choro dum mini-ser que nos desespera. Também não são as birras, trocar aquelas fraldas/material radioactivo, os marcadores pelas paredes ou chão, as nódoas de fruta nos sofás. Nem tão pouco são os telemóveis atirados para dentro de sanitas, ou os sapatos novos todos raspados ao final do primeiro dia.

O pior de ser mãe é o medo. O medo que nos congela quando um pensamento pior nos assola.

É o medo de perdermos tudo, num instante.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

As razões que levam alguém a ser mãe.

Eu já fui mãe.

Eu nunca pensei muito nisto de "ser mãe". Era um daqueles sentimentos que iria descobrir mais tarde, por volta dos 30. E ainda ia muito a tempo. Mas a Mariana trocou-me as voltas e não decidi eu a hora, decidiu ela que já era altura. Ok. Pode ter sido inesperado e até desesperante, mas bem vistas as coisas foi no momento certo.

Agora penso que talvez esteja na hora de ser mãe de novo.

Depois da Mariana nascer, pensei que ia ficar-me por ali. Que um amor tão grande era impossível de ser dividido. Ela preenchia-me (e preenche-me) de forma tão completa que não preciso de outro amor assim.  Nem acho que tenho espaço em mim para outro amor assim.

Bem vistas as coisas, nem tenho grandes amizades e laços de irmãos como exemplo na minha vida. Nem sempre um irmão é o sinónimo de um amigo de sempre e para sempre. Não é, definitivamente, esse o caso com o R. E, a diferença de personalidades tão abismal entre mim e a minha irmã também nunca permitiu que essa cumplicidade nascesse. Eu sou mais uma segunda mãe dela. Protectora, galinha mesmo, exigente, um modelo que ela acha que deve seguir.

Mas ela não é a primeira pessoa a quem recorro quando preciso. Nem a segunda, infelizmente. Bem, é assim a vida. As pessoas são diferentes, tão diferentes. Mesmo quando foram criadas pelo mesmo pai, pela mesma mãe, na mesma casa.

Mas isto de ter outro filho anda impregnado em mim. Na minha cabeça, no meu coração, no contorcer-se das minhas entranhas e no abafado do meu peito.

Será que ter um filho para dar um irmão/irmã à Mariana, é a razão que devia motivar alguém a ser mãe? Um filho como um brinquedo? Uma distracção? Um amigo?

Será que o segundo filho é isso mesmo...? Um presente para o primeiro? Será isso uma premissa válida? Não me parece nada...

Mas sendo assim, qual é a necessidade do segundo filho? Sim, assim crua e fria - necessidade. O amor que nos enche no peito não é já mais do que podemos conter? Não estamos completos? Não somos felizes, inteiramente felizes?

Não duvido que o resultado de se ser mãe pela segunda vez seja outro amor imensurável. Mas não será sempre um segundo...?

Não será até imoral ser-se mãe de novo sob estes pretextos generalizados da necessidade de um filho ter um irmão?

Por outro lado, se não tivessemos já o primeiro, não quereriamos o segundo que na verdade seria o primeiro!?

Não consigo deixar de sentir que isto tudo é uma grande injustiça. Injustiça para o primeiro, a cobaia, o sujeito de testes, aquele que "vamos ver se isto funciona" e injustiça para o segundo, o que fica com as Barbies já de cabelo rapado, com as roupas guardadas, com a vida em segunda mão.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Medos de quem vive no meio de alvos a abater.

Estão sempre a haver manifestações por aqui.

Ora são contra a "invasão" chinesa no Vietname de que ninguém fala, ora contra os pró-russos da Criméia tão badalados, ou até contra a ameaça muçulmana aos cristãos no Médio Oriente.

E depois ainda há as manifestações do próprio país, dos sindicatos, dos partidos menores, dos trabalhadores, dos desempregados.

Esta zona está em constante algazarra. Mas eu nunca me vou conseguir habituar aos barulhos. Aos gritos, aos cantos das multidões, aos megafones a vociferar palavras estranahas e às bombas. Bem sei que são só isso mesmo, barulho.

Mas não consigo "sacudir o sentimento" de que qualquer dia é a sério. E aí, estou feita ao bife.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vidas assim

O Rafael é um menino de cachos dourados, olhos azuis, num corpo de 17 anos com uma vida às costas de 80.

Nasceu no Brasil, o irmão mais velho de três. Sem pai, que o abandonou bem jovem, com uma mãe que o manda "virar-se sozinho". Em apenas 17 anos de vida tem já mais para contar do que muitos poderão alguma vez contar...

Perdeu anos de escola devido às constantes mudanças de casa da mãe, foi expulso da escola na
"oitava série", foi expulso de casa inúmeras vezes pela mãe para se "virar sozinho" e roubou-lhe duas panelas para poder cozinhar, viveu sozinho no meio do mato, passou droga, consumiu essa droga, jogou à roleta russa com os amigos (um dos quais viria a morrer por isso mesmo), fugiu da Polícia, roubou, levou pancada dos amigos, dos inimigos e da Polícia, foi ameaçado de morte, viveu num bairro de lata,  foi morar na roça e comia mangas e côcôs, sozinho no mundo, ameaçado por tudo e por todos.

Parecia que a sua vida ia mudar quando o pai, já casado de novo e com um filho de 18 meses, o foi resgatar desta vida, triste, e o trouxe para a Europa.

Mas o Rafael continuou a trabalhar sem que o pai lhe pagasse, a não poder beber um copo de leite sem ouvir o pai dizer "não comprei isso para ti! larga já", sem ser acusado de andar envolvido com a madrasta, sem sofrer maus tratos físicos mas psicológicos (os que doem mais), sem ver o pai a ameaçar a madrasta com uma faca, sem ver o pai a pegar no irmãozinho mais novo de 18 meses e sustê-lo fora da janela, ameaçando que o largava... O Rafael continuou a ser ignorado pela mãe quando, em lágrimas lhe contou o que se passava e ouviu, uma vez mais, "te vira aí, não vem praqui não"...

O Rafael não tem pai. Não tem mãe. Mas quer muito um dia ser pai. Ter uma família "como a sua e do R."...

Eu não posso ser mãe do Rafael. O R. não pode ser pai do Rafael. Nós não podemos ser irmãos da madrasta dele. Mas podemos dar-lhe um tecto, dar-lhes comida e esperança. Que um dia eles possam ter uma família... De verdade.

(... ... ... ... ... que ... ... ... ... $%&/# de vida!!!)

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fica comprovado mais uma vez que eu não devo ser uma pessoa normal.

Há coisa de umas duas semanas, andei afixionada com um documentário sobre um homem na Inglaterra que salvou quase 900 crianças durante o governo nazi. Sem vanglorismos, sem orgulhos, com uma humildade brutal, um sentido de dever sem esperar nada em troca. Tocou-me por muitas razões.
Porque sou mãe e senti a angústia daqueles pais que preferiram despedir-se dos seus filhos entregando-os a desconhecidos do que o outro destino que já lhes estava traçado.
E porque sou ser humano e quero acreditar que faria o mesmo que este homem fez, pondo em risco a minha própria vida por outros seres humanos. Sem procurar vantagens próprias, procurando unicamente a vantagem dos outros, com sentido de dever, de obrigação moral, de "não estar a fazer nada mais que aquilo que deveria". quero muito não fechar os olhos e esperar que passe, se alguma vez o futuro for tão cruel de novo.
Mas custou ver aquilo. Lembrar-me do que aqui se passou, tão perto de nós tanto fisicamente quanto em distância de anos. Ainda está tão perto, tão fresco... E parece que ninguém se lembra mais. Lembrar dói. Muito. Tanto. Mas é bom. É bom não esquecer, nunca.

Não chegava isto para me pôr o coração apertadinho, soube ontem que um pai, numa rua ao lado da minha, atirou o filho de cinco anos pela janela do 11º andar, atirando-se ele próprio de seguida enquanto a mãe entrava em casa para tentar evitar o desastre...

E mais uma vez, não consigo abafar a dor. Meu Deus, que dor...! Que sofrimento. Que angústia. Que perplexidade. Raiva, frustração. Quase consigo fechar os olhos e imaginar-me no papel daquela mãe...

Esta minha empatia já me valeu um ataque de pânico hoje. Mas claro, sádica como só eu, ainda tive que abrir o link que dizia "As horripilantes fotos post mortem".

Please, shot me now.







terça-feira, 22 de julho de 2014

Prioridades

Chego ao trabalho não muito cedo depois de um fim-de-semana de quatro dias.
Já vinha com uma lista de tarefas em mente desde que saí de casa. Sento-me e ponho-a por escrito.

Apercebo-me que estou mesmo lixada e tenho que me pôr a fazer alguma coisinha rápido se quero ter o meu deadline cumprido.

Olho para a lista, para saber por onde começar, viro-me para o computador e ... abro o email e o blogger.

Não estão na lista, mas prioridades são prioridades.