sexta-feira, 16 de maio de 2014

Quando a voz dentro de nós não se cala.

Estou tão stressada (e cheia de trabalho que só consigo procrastinar) que preciso mesmo de desintoxicar as palavras, colocar os sintomas por escrito para ver se despejo o copo e consigo apreciá-lo melhor, de fora.

Nunca senti tantas dúvidas como depois da M. nascer. Eu antes já era indecisa, mas agora estou 1.000 vezes pior. Antes as minhas decisões (ou indecisões) afectavam apenas duas pessoas: a mim, e ao Rui. Se alguma indecisão passada a decisão corresse menos bem, paciência.

Mas agora as (in)decisões afectam-na a ela. E ela vale por mim, por ele, pelos dois juntos. É que vale mesmo.

Durante estes três anos a trabalhar na Comissão Europeia, nunca morri de amores pelo meu trabalho. Quando tinha trabalho.
Sinto que perdi três anos da minha carreira e que dei de mim, mas não recebi nada em troca. Despejei a bolsa de conhecimentos, que não voltei a encher. E sinto falta disso. De aprender coisas novas, de ser desafiada, de ter 1001 coisas para fazer e não saber para onde me virar. De parar de olhar para o relógio e as horas passarem a correr.

Algumas pessoas acham que sou maluca "porque eu é que tenho um trabalho bom", "na Comissão Europeia - uuuuh" (enganam-se, porque as empresas privadas não são burras e sabem bem que há mais pessoas do que trabalhos na CE), "porque chego às 10h e saio às 17h (e às vezes com hora de almoço pelo meio), "porque posso dedicar-me a outros projectos que gosto muito" "tirar cursos online" ou simplesmente "passar a vida no FB".

Eu entendo a lógica, a sério que sim. Se eu não tivesse 27 anos e devesse por isso estar no auge da minha carreira, síndrome de "quanto menos faço, menos quero fazer!", um vício de procrastinação e um desinteresse profundo na área de desenvolvimento de software (opa, mas eu quero lá saber o que acontece dentro da caixinha preta!!! eu gosto é de falar sobre o que VEJO, sim VEJO no ecrã!!! E pôr aquilo tudo bonitinho, e fazer uns textos/vídeos/ilustrações catitas e, ao mesmo tempo, umas apresentaçõezinhas no Prezi todas mimimi". Mas não me venham, por favor, falar em UMLs e em bases de dado e em sequence diagrams e use cases e architecture e analysis!!! Estou FARTINHA! Ufa, acho que já exorcizei aqui um ou dois demónios.)

Por isto, o meu ordenado, não sendo pago directamente pela CE mas passando pelas mãozinhas gordurosas de um terceiro já vem bem descascadinho e não é nada de especial.

Juntando a isto o facto que moro do outro lado da cidade, tenho a miúda na creche numa das outras pontas e faço, diariamente, 1h no mínimo de casa-trabalho e vice-versa, digamos que estou pelos cabelos do meu trabalho.

Vai disto, pus-me a mandar CVs à maluca para o Luxemburgo (porque lá é que se ganha bem que a porcaria dos belgas levam-nos tudo em impostos - 40% senhores, 40 POR CENTO!!!). E fui a uma entrevista lá. Para Editor de Customer Information. Uau, fancy title. Num fancy job, uma empresa de investimentos financeiros de alto gabarito (imaginem o Millennium a investir numa cena qualquer, são estes senhores que gerem isto tudo). Até correu bem, mas saí de lá com aquele feeling "nah, isto não vai ser para mim". Não me perguntem porquê. Apenas sinto isso e pronto. E ainda não recebi um pio desse lado.

EntretantoS, meti o meu CV numa cena qualquer de CVs online e puff, dois telefonemas esta semana.

"Ah e tal, gostávamos muito que viesse a uma entrevista com uma empresa nova de software ligado ao marketing que tem como clientes a Microsoft, IKEA, Lego, BlackandDecker, and so on, and so on, para ser Technical Writer MAS também UI (User Interface) Graphic e para aprender mais sobre commercial writing. Pagamos-lhe 360€ a mais (líquidos), tem direito a um carro melhor, telemóvel e laptop, lunch vouchers, seguro da empresa, mas tem sede em Nova Iorque e .... Ghent!!! Sim, Ghent a 60km de Bruxelas. Não, não, não é em Bruxelas não. Não é onde o seu marido trabalha, não é onde vive, nem é onde tem a sua filha na escola. É mesmo a 45 min (se o trânsito ajudar) disso tudo. Mas as casas aqui são muito melhores!!!! Vejam lá que temos aqui a 15 minutos do trabalho uma CASA, T4, com jardim enorme, nova, com garagem, por 1000€ de renda. Pois, é o que paga agora pelo seu apartamento no 7º andar, sem jardim nem garagem não é? Sim, as escolas são em Holandês e compreendemos que a sua filha mudou-se agora mesmo para uma nova escola, em Francês, mas aprender nunca fez mal a ninguém não é? E a sua filha, que ainda agora aprendeu o Francês, vai habituar-se num instantinho ao Holandês que apesar de ser uma língua super importante na Bélgica é menos útil fora daqui que o minhoto!!! Não faz mal que o seu marido tenha que trabalhar a sei-lá-quantos-muitos km de Ghent e tenha que ir de comboio. Ou então, se quiser continuar a viver aí, que você tenha que se levantar mais cedo, pegar no comboio (17€ por dia), dar o carro ao seu marido e fazer 1h de trajecto. Afinal, não demora mais de 1h a chegar ao trabalho agora? Sim, sim, não interessa nada que esse trajecto de 1h actualmente seja COM a sua filha e portanto que você considere esse tempo, tempo útil com ela. Pense na sua carreira!!!"

Nota-se muito que estou a falar comigo própria?
Mas e agora? O que respondo a mim mesma?

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Há alturas assim...

Em que as coisas acontecem a uma velicidade tão alucinante, atropelam-se, que não deixam tempo nem margem para as pormos em papel.

É assim que tem corrido (literalmente!) a nossa vida.

Com muitas coisas novas, outras ainda para o ser, momentos difíceis que é para não perdermos o hábito, novos projectos há muito planeados (e logo postos em hold), novos desafios conquistados (já não há cá fraldas!), muitas indecisões e incertezas, muitos caminhos para seguir sem lhes avistarmos o fim.
Uma certeza temos: é tempo de mudança. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Because a world without music would suck


Será estranho andar sempre com esta música na cabeça? :D Love it!

You're not a size six, and you're not good looking

Well, you better be rich, or be real good at cooking

You should probably lose some weight

'Cause we can't see your bones

You should probably fix your face or you'll end up on your own


Don't you want to have somebody who objectifies you?

Have you thought about your butt? Who's gonna tear it in two?

We've never had it so good, uh-huh, we're out of the woods

And if you can't detect the sarcasm, you've misunderstood


It's hard out here for a bitch! 

Voltar às origens?

Isto das lidas blogosféricas tem muito que se lhe diga...

Nunca há uma solução que nos assente que nem uma luva. Ora é porque há problemas de compatibilidade de browsers, ora porque o serviço de apoio ao cliente é uma caca, ora porque o provedor de blog ainda está a anos luz de outros.

Quando comecei no Sapo pensei que o nosso caminho se cruzasse por largos e bons anos. Senti, principalmente um sentido de dever por ser portuguesa e este ser um serviço Português. E durante muito tempo fui feliz por poder "servir a pátria".

O meu marido faz sempre atenção para comprar apenas os produtos nacionais, quando vamos ao supermercado. Nem que esteja ali aquela laranjinha tão apetitosa que ia tão bem com um pedaço de broa (sim, ele come laranja com broa), se disser "España" ele não pega.

Eu não sou assim, admito. Vendo-me rapidamente aos olhos, aquilo que quero no momento, ao que me satisfaz as necessidades! Sou uma vendida...

E tenho muita pena que o Sapo não me satisfaça as necessidades. Porque é Português e porque tenho orgulho das minhas origens.

Mas as minhas origens blogosféricas foram com o blogger e tenho saudades de muitas características que não encontro em mais lado nenhum...

Oh God, isto até parece uma coisa assim super importante, como escolher um marido ou comprar casa!!! Jezz... Dito isto, vou andado cá e lá. E talvez ainda dê uma espreitadela ali.

Sou uma vendida, é o que é.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Happy rainbow

Começo a reparar nas "cores" e no tom deste blog e preocupa-me que seja sempre negro e grave.

Parece que a depressão, o desalento, a tristeza é aquilo que me define melhor aqui. E preocupa-me saber que isso, não é de todo, um espelho de quem sou.

Claro que tenho fases más. Todos temos. Eu gosto de escrever sobre elas, aqui. Para não ter que sobrecarregar mais ninguém com as minhas palavras, as minhas emoções já tão pesadas para mim.

Aqui é onde sinto que posso despejar o saco, quando está cheio demais.

Mas nem sempre o saco está cheio de problemas ou tristeza e desespero. Pelo contrário.

Muitas vezes está cheio de alegria, de paciência, de amor! Mas, é engraçado, sobre isso não tenho necessidade de escrever...

Não sinto necessidade de escrever sobre esta fase que já dura há tantos meses.

Esta fase tão terrível quanto amorosa da M. Estes terrible two que estão a ser a melhor fase que já vivi com ela! De cumplicidade, de entendimento, de moldar personalidades e cativar-me com emoções, palavras, atitudes... De sentir que tenho ali uma companheira, uma amiga. A minha melhor amiga.

E nem tenho necessidade de escrever sobe a minha relação com o R. Tão serena, tão clara, tão (im)perfeita na sua perfeição.

Finalmente as estrelas se alinharam, parece. Mas a verdade é que se alinham muitas vezes. Ou melhor, naturalmente estão alinhadas. Depois lá vem de vez em quando um tufão qualquer que as deixa todas baralhadas... Apenas até encontrarem o caminho de novo à sua organização...

Por isso, tenho que o admitir. A minha vida é como um arco-íris sim.
Cheia de cores! Algumas gosto muito, outras nem tanto... E de vez em quando lá vem aquela chuvada forte! Mas sabemos que precisamos da chuvada para rever o arco-íris...

E o pote de ouro no final do arco-íris? Bem, nem tive que ir ao fim e já encontrei dois... 


Sweet girl, Sweet words

Hoje pus este cinto com um lacinho e já estava vestida quando a princesa acordou... 


Quando a fui buscar à caminha, olhou para mim ainda com os olhos semi-cerrados e disse "uau mamã"... Haverá melhor maneira de começar o dia?
 
Por muitos problemas que possam existir, não há nada que amorteça a felicidade que aquela miúda me faz sentir!!!

domingo, 13 de outubro de 2013

♥ Baby Love ♥ há 2 ANOS


Faz hoje dois anos que te conheci.
Dois anos desde a primeira vez que te vi, ao vivo.

E, pela primeira vez, não consigo expressar em palavras o amor, tão imensurável e incondicional que sinto por ti.

Que senti há dois anos. Que senti mais há um ano. Que sinto a preencher-me o coração e a alma agora. E que sei que sentirei ainda mais amanhã.

Foste (e és) muito mais do que merecíamos, tanto mais do que pedimos.

Foste uma benção e uma responsabilidade. A alegria e a preocupação.

Foste a cola que nos mantém juntos, a todos. Foste a melhor solução para tantas mágoas, o cachimbo da paz para tantos arrufos. A única alegria em tantos momentos de desânimo.

Nunca soube bem ser tua mãe, mas tu soubeste ser minha filha. O Sol dos meus dias, a Lua nas minhas noites.

Só tu me fazes rir e chorar ao mesmo tempo.

Só tu és capaz de me fazer dançar no carro, sem me preocupar com os outros condutores! Só por ti danço o chu chuá ou a dança do pinguim quer em frente de estranhos ou amigos, sem vergonha, sem constrangimento. Só tu me consegues colar ao chão, e ver-te brincar. Só tu consegues fazer-me rir quando só quero chorar. Só tu tornas tudo mágico, mesmo os dias banais.

Porque é por ti e para ti.
Tudo é por ti e para ti. Tu deste sentido à nossa vida. Fizeste-nos viver e não só sobreviver.

Fazes a nossa vida um carrossel de emoções, em que no final guardamos a alegria como a mais marcante.

Por ti vivemos, por ti fazemos planos para o futuro.

A ti queremos proteger.
Educar.
Orientar.
Limpar lágrimas.
Dar e receber abraços.
Contar uma história todas as noites e encher-te de beijos.
Apoiar.
Repreender.
Ensinar.
Dar as mãos.
Ajudar a ultrapassar dificuldades.
Receber de braços abertos depois de teres errado.
Deixar ir, quando a vida te levar para o teu caminho.
Ouvir todos os dias acerca das coisas importantes. E dos disparates.
Ver, ouvir e cheirar pela última vez, se assim tiver de ser.
Rever, quando o tempo chegar!

A ti queremos Amar.
Ontem, Hoje, Amanhã e para Sempre. 

Amo a ti Mariana...